quinta-feira, 19 de setembro de 2013


Conversa de ponto...

Estava eu a esperar a circular, isto é, o ônibus, para descansar do tão pesado dia de trabalho quando me deparo com esta situação: duas mães conversando sobre a “ESCOLA” dos filhos, ou melhor, dizendo das “CUIDADORAS” de seus filhos. Estavam questionando o porquê das férias dos pequenos. Eis que uma delas diz: - Eu falei pra ela (professora)! Como!? Férias em julho? Se a minha é só em setembro! E quem vai “CUIDAR” do meu filho? A outra indignada com a situação da amiga, também concorda que não deveria haver férias escolares. Logo atrás delas outra amiga indagou: - Essa “Gente” é cheia de querer! Ainda bem que elas nos chamaram de “GENTE”! Mas espere aí! Nós não somos “toda gente”, “povo”, como qualifica o Aurélio. Somos “PROFESSORES”! Qualificados, graduados, especializados, muitos, mestres e doutores, com anos de estudos e respeito pela “EDUCAÇÂO”, ou melhor, dizendo, respeito com o conteúdo “CIENTÍFICO” a passar para “SEU” filho! Pensem comigo! Imaginem todas as escolas respeitando as férias de todos os pais! Todas as escolas só “cuidando” dos alunos! Só os professores educando estes pequenos! Engraçado... Alguém pediu pra você, se podia engravidar? Portanto, o filho é seu. O “ALUNO”, sim é “NOSSO”! Cabe a nós, profissionais da área da “EDUCAÇÃO” passar o melhor para seu filho. E esse melhor, inclui o “RESPEITO” pela sua formação profissional, educacional no sentido cognitivo, pois não somos fábrica onde se terceiriza as responsabilidades. “Somos sim”, “EDUCADORES”, e como tal, somos trabalhadores como vocês, necessitamos de férias e muiiiiiiiiito descanso. Porque enquanto vocês trabalham, nós também trabalhamos e ainda cuidamos dos nossos filhos, e ainda, cuidamos do lar, dos trabalhos que levamos para casa, preparamos aula e ainda cuidamos num só momento, dos filhos de suas amigas, das amigas das suas amigas, etc. e tal. E mais, cuidamos de 23 a 30 filhos de uma vez, e filhos de comportamentos e atitudes diferentes uns dos outros, sem muitas vezes poder imaginar sentir- se cansada. Isto para não dizer: desolada, desencantada, desrespeitada, desestimulada, desmotivada, entre outros adjetivos. Não pelo que nos propusemos a fazer, mas sim pelo que querem que façamos, ou melhor, querem nos obrigar a fazer. O mundo está mesmo de pernas para cima, como se fosse um “BAOBÁ”. Bom... A “árvore” recebeu um castigo Divino, por ser teimosa e não se fixar ao solo. Mesmo assim, continuou a ser bela! Já nós pobres mortais, nos fixamos nos nossos propósitos, “EDUCAR”, mesmo assim continuamos a ser aos olhos de “CERTAS” pessoas, feias e merecedoras de castigo. É muito triste esse descaso, a quem vive a se doar! Respondam-me. O mundo ainda tem jeito? (Sonia Mª Geraldi Baylão  – 22/05/13)

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