Hoje, ao ler uma literatura para meus alunos pude perceber com maior intensidade o valor da simplicidade. Falo isto porque trabalho com uma turminha de quinto ano, e a literatura a meu ver no primeiro instante parecia-me muito infantil; até eles comentaram. Porém, ao discuti-la fiquei pasma, pois não sei de onde tiraram, ou melhor, tiramos tanta reflexão. Já viram aquele provérbio: “É dos menores frascos que tiramos os melhores perfumes”? Pois é, cabe bem dentro deste contexto!
A literatura era: A Margarida Friorenta – de Fernanda L. de Almeida. Conta à história que uma certa Margarida em uma noite escura ,estava a tremer de frio. Quando de repente uma borboleta Azul passa e a vê sofrendo e resolve buscar ajuda com uma amiga, Ana Maria, que a socorre levando-a para sua casa. Que em seguida cobriu-a e nada! Agasalho-a, deu-lhe bolacha, casa, e tudo continuava na mesma! Persistia a tremedeira. Foi quando Ana resolveu dar-lhe um pouco mais de afeto. Deu-lhe um beijo carinhoso e o frio passou rapidamente. Bobinha não é?! Nãããão!!
Logo que terminei de lê-la um aluno rapidamente quis falar. Olham só a reflexão! Disse: _Professora, aqui na sala todos nós sofremos com um frio diferente! Eu, por exemplo, sinto frio pelo abandono de pai! Fiquei de queixo caído! Deixei-o continuar. Ele foi olhando aluno por aluno e explicando o “FRIO” de cada um, inclusive o meu, pois eu fiquei tão impressionada que procurei saber. E não é que ele acertou na mosca! Olhou para mim e disse olhando nos meus olhos. Gente fiquei “BEGE”! E cada aluno se viu dentro da história dando-lhes um frio diferente, até para mim. Eu era a Ana Maria e eles as margaridas da vida.
Pensem no frio que me causaram, passei de Ana a Margarida. Que lição de vida! Tudo isso serviu para eu reafirmar o que sempre tenho dito: _Criança é muito esperta, na é b...!
Mas voltando ao assunto simplicidade, penso que a ela nos leva ao mais alto grau de sabedoria, porque sei que não sei nada! Então ouço,reflito,busco ajuda, pergunto,questiona observo, vejo, isto é, “ENXERGO”. Onde hoje, muitos pecam por se sentirem superiores, poderosos, sabedores. Que me perdoem os elevados, mas prefiro a simplicidade do meu conhecimento e a sabedoria dos que me seguem, pois sei que os enxerguei e do que lhes propus. E para fraseando Rubem Alves: “De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra”. (26/06/13).
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