terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Aos profissionais da Educação - Maior Valorização
Ilustríssima Presidente Dilma Rousseff, venho através desta tentar mostrar-lhe como esta a situação dos professores no Brasil. Para isto vou descrever um pouco do meu dia a dia. Sou formada em História, atuando no ensino fundamental e fazendo Pós em Neuropedagogia (R$145,50). Ganho R$ 1.079,10 mais abono de R$ 30,00 e adicional tempo serviço R$53,96. Sobre esse valor um desconto de R$ 47,48 vale transporte, R$ 52,14 IRRF,R$ 124,64 cont. fundo previden. Sendo assim, resta para outros gastos como: Aluguel R$ 750,00; já que não consigo juntar o mínimo previsto pela Caixa, quantia necessária para dar entrada na moradia própria (Minha casa minha vida) grande mentira! Casa para os de menor valor aquisitivo e, cond.R$ 154,00, IPTU R$ 28,50, luz R$ 94,76, faltando R$ 83,46 para pagar luz. Ai me pergunta como comer, vestir, saúde, lazer, livros, entre outras coisas? Nesse momento recorro às ditas “dobras”, tomando outra parte do meu dia que na verdade seria para estar estudando, me preparando para o dia seguinte. Sem contar que, vou até mais ou menos 23 h para dar conta das atividades pendentes. Preparar aulas, correção de verificações e leituras. Tenho muito pouco tempo a família, ou para eu mesmo. Moro com um filho que me dá uma força, mas ele tem sua vida própria e não poderei contar com isso para o resto da vida. Sou uma professora consciente do meu papel na sociedade, e sei das consequências num aumento impensado para com uma classe trabalhadora com relação União, só que somos a base da sociedade, como afirma Augusto Cury (educador), portanto devemos ser mais valorizados, pois ultimamente somos tratados como um lixo. Penso que, se valorizássemos mais a base o país com certeza chegaria ao que desejamos (IDEB). Minha escola vem avançando na média ano a ano, e fico muito feliz, pois participo dessa tarefa desde o inicio, da primeira avaliação. Hoje, faço o máximo de mim para que tudo saia perfeito, todavia acredito que se tivemos um melhor salário para que pudéssemos trabalhar menos horas e nos dedicarmos mais aos afazeres escolares, com certeza chegaríamos lá muito mais rápido. A mídia sempre questiona a educação pública, dizendo coisas absurdas a meu ver, fico muito triste, pois sabemos de nossa obrigação e mesmo desmotivada e desvalorizada procuramos fazer o melhor. ““É lógico que existem profissionais e profissionais”, porém me enquadro naquele que procura inovar sempre e isso demanda “TEMPO”, e como diz o ditado popular” tempo é dinheiro”, e precisamos dele para “SOBREVIVER”.Por isso, querida Presidente, espero que olhe mais por nós professores ( maioria mulheres batalhadoras), e com certeza não se arrependerá. Hoje, mais do que nunca sofremos na nossa profissão, além de todos esses agravantes, pais estão terceirizando a educação de seus filhos o que dificulta ainda mais nossa obrigação “PASSAR CONHECIMENTO CIENTÍFICO”, e fazemos isso sem na maioria das vezes reclamar. Porque reclamar para quem? Estamos a margem da sociedade e não na base dela, isto é, questão de valores invertidos. E como passar aos nossos jovens certos valores como: estudar, aprender, honestidade e vontade de prosperar. Está muito difícil! Pois a todo o momento eles se deparam com exemplos de mau comportamento sendo valorizados, ou impunes. Querida Presidente, espero ser atendida em nome de todos bons profissionais que como eu anseia por um país melhor e próspero, onde a base da sociedade seja mais bem valorizada e melhor remunerada. Peço por piedade, clemência, olhe por nós, que passa por um momento muito difícil e contraditório: OS QUE MENOS FAZEM GANHAM MUITO e aqueles que são taxados com os responsáveis por “TUDO” o que acontece na sociedade passam hoje necessidade, tanto no financeiro como psicológico, pois nunca ninguém nos ouve! Acreditando na sua boa vontade e gratidão espero ser ouvida. Professora : SONIA MARIA GERALDI.
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