A professora do lixo...
Brincadeiras a parte! Esta fala é
minha, para com meus alunos, pois costumo levar tudo que acho importante para
trabalhar em sala e, às vezes são coisas que muitos as veem como lixo: por isso,
a brincadeira! Porém, sei apreciar e garimpar joias preciosas! E foi em uma
ocasião inesperada que encontrei esta linda pedra rara. Sei que está ansioso ou
ansiosa para saber qual é, mas antes vou detalhar o momento.
Sou professora e como sabem temos muito pouco
tempo para nos dedicar a leitura por prazer, e nos pequenos momentos passamos o
olhar em revistas, livros e jornais, faço isso costumeiramente até porque como
já disse, estou sempre procurando inovar minhas aulas. E foi em um destes
momentos que me deparei com uma coluna no jornal que me chamou muita atenção,
primeiramente pelo nome “FRANCAMENTE”, depois pelo conteúdo abordado, a maioria
sobre “EDUCAÇÂO”. Resolvi então levar para a sala todas as quartas feiras e
lê-los para meus alunos. Por sinal gostaram muito! E passei a ficar inquieta
todas as quartas feiras de manhã, até chegar a escola e ler a coluna mais uma
vez. Numa quarta, estava lá “PAIS BANANAS”!
Li adorei e levei-o para sala. Foi um sucesso com as crianças.
Questionaram, concordaram e pediram para escrever sobre o assunto. Foi tudo de
bom! E assim, todas as quartas feiras antes de pegar o jornal, um aluninho
vinha e me dizia: Professora, hoje a “Lu” está falando sobre... Isto mesmo ela
se tornara intima para nós. Passamos a explorar suas crônicas ao máximo. Trabalho
em sala, textos de opinião, leitura e questionamentos com os pais, avaliações,
enfim trabalhamos muito durante todo ano letivo, onde tive a oportunidade de
observar o avanço dos pequenos com relação à leitura, escrita e criticidade. E
sem conhecê-la passamos a admira-la.
Muitas
vezes pensei em procurá-la e pedir para que viesse visitar minha sala, mas não
sabia como fazer. Engraçado, quando amamos o que fazemos tudo prospera a nosso
favor. Num sábado de manhã no meu curso de Pòs uma colega me diz: “Olha aquela pessoa
que você quer tanto conhecer, vá falar com ela!” Fiquei envergonhada, mas uma
pessoa que a conhecia proporcionou o contato. E antes mesmo que eu pedisse para
visitar a minha sala, ela gentilmente se ofereceu. Marcamos e lá estava ela!
Pensa em crianças felizes, realizadas, entusiasmadas, pareciam não acreditar.
Quando foram presenteadas, pareciam que estavam ganhando uma pedra preciosa,
que na verdade é mais que isso; é cultura, valorização, respeito e gratidão, e
eu muito mais! Não tenho como agradecê-la.
Hoje, fico triste toda quarta feira,
pois o jornal vem na terça. “Cadê a nossa “LU”?” Quero a de volta para dar
continuidade ao trabalho tão gratificante que me oportunizara. Acabo lendo seus
textos, às vezes dígito-os, todavia não é a mesma coisa do que pegar o jornal e
lê-lo. Contudo, nossa querida “LU OLIVEIRA”, jamais vamos esquecê-la, já faz
parte do nosso cotidiano, estará sempre em nossos corações e em nossas
leituras. Com carinho, muito obrigada. Abraços
Professora
Sonia Mª Geraldi Baylão.(21/06/13}